| "Elevo os olhos para os montes: de onde me virá o socorro?
O meu socorro vem do SENHOR, que fez o céu e a terra" - Salmo 121 |
OPINIÃO
artigo de Jonas Barros
Jonas Barros
É de conhecimento público que não é obrigação do Estado o fazer cultural, mas sim procurar mecanismos que possibilitem o fomento de todas as atividades culturais, permitindo ao artista o acesso, de forma democrática, aos meios que lhe contribuirão, de forma decisiva, para a propagação de seu trabalho.
Quando ministro da Cultura, o cantor Gilberto Gil já alertava para o fato de que a carência de reflexões e debates aprofundados sobre alguns temas culturais estratégicos e a escassez de informações calcadas em apurações empíricas são constatações consensuais.
Assim, como o ex-ministro, também comungamos do mesmo pensamento que nos levam a acreditar que sem análises e dados consistentes, o Estado permanecerá impossibilitado de formular, acompanhar e avaliar, com a precisão requerida, as políticas públicas da cultura.
Particularmente, no Tocantins, o que vemos, na maioria das vezes, são políticas públicas culturais inconsistentes, privilegiando-se uma minoria apadrinhada politicamente, em especial, que reside em Palmas, em detrimento da grande maioria dos produtores culturais que residem nas cidades do interior e que não raro, conseguem um mínimo de atenção por parte da Fundação Cultural do Estado.
A descrença dos produtores culturais para com o órgão gestor da cultura tocantinense fica ainda mais evidenciada quando se constata que para a eleição dos novos conselheiros do Conselho Estadual de Cultura (CEC), a participação dos artistas é pífia.
Apenas 15 candidatos se inscreveram para concorrer a vagas de membros e suplentes dos respectivos segmentos: artes cênicas, música, literatura, artesanato, culturas populares e patrimônio cultural material e imaterial. Nos segmentos comunidades dos povos indígenas e comunidades negras e quilombolas, a eleição será no âmbito de suas próprias comunidades. Entretanto, para os segmentos de artes plásticas e audiovisual, não apareceram candidatos.
Ao todo, 146 eleitores se cadastraram para estas eleições. O maior número desses eleitores foi registrado no segmento de artesanato, com 89 de cadastrados, seguido por música (19), cultura popular (18) patrimônio cultural (7) literatura e artes cênicas, 5 cada.
O Tocantins conta com cinco academias de letras e centenas de escritores com livros publicados, muitos, com destaque nacional, o que demonstra a efervescência do fazer literário no Estado. No entanto, apenas cinco escritores se inscreveram como eleitores do CEC. No setor de artes plásticas, o número de artistas é também expressivo. Eles contam até com uma entidade representativa: a AVISTO - Associação de Artistas Visuais do Tocantins , mas ninguém quis se candidatar a uma vaga nesse segmento.
Diante deste quadro que aí está, chegamos a conclusão de que a classe artística tocantinense está descrente com as políticas públicas para a cultura colocadas em prática pelo Governo Estadual e anseia por um novo rumo que levará nossos artistas ao caminho da valorização de seus talentos.
Jonas Barros é vereador (PV) e presidente da Câmara Municipal de Gurupi
07/06/2010 10:30:36