"Elevo os olhos para os montes: de onde me virá o socorro?
O meu socorro vem do SENHOR, que fez o céu e a terra" - Salmo 121

OPINIÃO

Liberdade é fundamental para o exercíco da democracia

Jornalista comenta fim do programa da Roberta Tum


Carlos Henrique Furtado

arquivo

É com tristeza que vejo a retirada do programa “Na Ponta da Língua” do ar. Exibido na 96 FM / Redesat. O programa tinha como princípio e linha Editorial, a imparcialidade. Dando espaço  a todos os segmentos da sociedade, e talvez isso tenha incomodado “alguem”, não acostumado à independência, e imparcialidade. Trazendo dentro de si resquício de uma prática que tínhamos esperanças de ter sido abolida do Tocantins. Depois da posse de Carlos Henrique Gaguim, tivemos a eufórica sensação que estávamos entrando numa democracia, com seus direitos e deveres.


Mas, basta uma palavra, uma frase que não seja entendida, ou que denote crítica, pronto. Juntem-se lenhas e arma-se a fogueira para “queimar” quem teve a ousadia de criticar, ou divulgar uma crítica. E foi isso que aconteceu com a Roberta Tum. Seu crescimento, a visibilidade política, está incomodando os políticos desprovidos de caráter democrático.


Mas a história da imprensa no Brasil sempre teve capítulos perseguidores. Não foi por acaso que o Brasil demorou a usufruir da imprensa. A metrópole portuguesa vetava a instalação de qualquer tipografia na sua colônia das Américas. Mesmo assim, antes da chegada da Família Real, houve tentativas de se implantar a imprensa por aqui, inclusive durante o governo de Maurício de Nassau, antes da expulsão dos holandeses do Nordeste brasileiro (1645). Mais de um século depois, em 1746, o português Antonio Isidoro da Fonseca colocou uma tipografia em funcionamento no Rio de Janeiro. Mas a idéia dele não foi bem aceita pela Corte, que ordenou a destruição de sua gráfica.


A circulação de muitos livros era proibida, num quadro de constrangimento da metrópole com sua colônia, que era subjugada não só do ponto de vista econômico e comercial. A censura das idéia também era fundamental para Portugal manter suas concessões ultra-marinhas.


A convivência da Monarquia com a imprensa não era das mais democráticas. No período imperial, se tornaram comuns as perseguições políticas, as prisões e até a morte de quem “ousasse” manifestar-se contra o governo. Sempre tinham aqueles que não se rendiam às ameaças. E opunham-se de maneira virulenta. No primeiro reinado (1822 – 1831), a imprensa informal, mais panfletária, ganhou espaço com uma linguagem agressiva, violenta e desafiadora contra a opressão política. Os jornais informais representavam uma ferramenta de conscientização em favor das lutas sociais e políticas, como a Abolição e a República.


O perído republicano foi marcado por vários atentados à liberdade de imprensa. A primeira lei de imprensa na era republicana retirava do Código Penal os crimes de imprensa e instituiu-se o direito de resposta e reformou-se o processo de crimes da imprensa.


Na república, bem, sentimos ainda a dor dos que sofreram, dos desaparecidos, dos que foram torturados nos porões da Ditadura.  A censura prévia estabelecida, punia os que conseguiam burlar, eram presos, torturados e mortos.


Liberdade de informação é o direito de informar, o direito de se informar e o direito de ser informado.


O profissional do jornalismo não pode admitir – nem a sociedade pode admitir que ele admita – a hipótese de que o exercício do jornalismo não seja livre, afirmativamente livre.


Ser livre é um imenso desafio, o maior de todos. A liberdade não é apenas letra. Ela só existe se for exercida de fato, por meio da visão crítica, do rigor, da objetividade, na obstinação por tornar públicas as informações que o poder preferiria ocultar. A liberdade floresce mais no conflito que no congraçamento, tanto que alguns a confundem com a mera falta de educação – o que também é uma forma de rebaixá-la. De um modo ou de outro, por um caminho ou por outro, ela precisa ser explícita, ostensiva mesmo, pois disso depende a confiabilidade, a credibilidade e a autoridade da imprensa. Se não reluzir na liberdade quente, a imprensa morre. (Observatório da Imprensa)


Talvez a atitude tomada contra Roberta Tum seja inspirado no que está acontecendo na Venezuela. O presidente Hugo Chávez  mandou fechar seis canais de TV, por que se recusavam a transmitir os discursos presidenciais. Cerca de 8 mil estudantes foram para as ruas, enfrentaram a polícia, dois morreram, e gritaram palavras de ordem a favor da democracia.


Roberta cumpre seu papel. Como muitos deveriam fazer.  Para o jornalista, exercer a liberdade é um dever porque, para o cidadão, ela é um direito. Para que este possa contar com o respeito cotidiano ao seu direito à informação, o jornalista não pode abrir mão do dever da liberdade. Isso deveria ser seguido por todos os jornalistas, mas, infelizmente, só por alguns, e Roberta Tum está entre esses, por isso foi “calada”.


27/01/2010 13:38:29

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